O que a RDC 1.012 regulamenta
Antes de 2026, o Brasil não tinha um conjunto de regras claras sobre como cultivar cannabis em solo nacional. A importação era regulamentada, o produto acabado era regulamentado — mas a etapa agrícola permanecia num limbo resolvido caso a caso pela via judicial.
A RDC 1.012/2026 encerra esse vazio. Ela define o padrão mínimo de infraestrutura, segurança e controle que um estabelecimento precisa demonstrar para receber autorização da Anvisa e cultivar legalmente.
A lógica da norma é de controle de desvio: como a cannabis é uma planta sujeita a controle especial, cada etapa — do plantio ao descarte — precisa ser rastreável, documentada e auditável.
Os requisitos obrigatórios
Os pontos centrais que qualquer projeto de cultivo precisa atender:
- Autorização Especial (AE) emitida pela Anvisa — sem ela, nenhuma atividade de cultivo pode começar
- Videomonitoramento 24 horas por dia, 7 dias por semana, com armazenamento das gravações por no mínimo 30 dias
- Controle rigoroso de acesso às áreas de cultivo, com registro de entrada e saída de todas as pessoas
- Rastreabilidade completa de todo o material vegetal, do plantio à destinação final
- Descarte seguro e documentado de resíduos e material não aproveitado
- Transporte em embalagens invioláveis, realizado por transportadoras autorizadas
O videomonitoramento e o controle de acesso não são recomendações — são condições para a manutenção da Autorização Especial. Falhas nesses controles podem levar à suspensão da AE em fiscalização.
Quem pode cultivar sob a RDC 1.012
A norma direciona o cultivo para pesquisa científica a instituições com estrutura e finalidade compatíveis:
- Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) reconhecidas
- Instituições de ensino reconhecidas pelo MEC
- Órgãos de defesa do Estado, para finalidades específicas de sua competência
- Estabelecimentos com Autorização Especial concedida pela Anvisa para a atividade
Em todos os casos, a obtenção prévia da AE é obrigatória. O pedido é instruído com documentação técnica que demonstre o cumprimento de cada requisito de segurança previsto na norma.
O que isso significa para o mercado
A RDC 1.012 muda a natureza da conversa sobre cultivo no Brasil. Sai de cena o debate sobre se é possível cultivar e entra o debate sobre como estruturar um cultivo que atenda aos requisitos.
Na prática, isso desloca o custo do projeto: menos gasto com disputa jurídica, mais investimento em infraestrutura física, sistemas de rastreabilidade e compliance regulatório.
Para quem já opera com pesquisa, a norma oferece previsibilidade. Para quem quer entrar, ela define com clareza o tamanho do investimento necessário — o que, por si só, já filtra bastante o campo.
A RDC 1.012 trata das regras gerais de cultivo. Se o seu interesse é especificamente o cultivo de variedades com baixo teor de THC para fins medicinais, a norma complementar é a RDC 1.013/2026.
A RDC 1.012 em um infográfico
Resumo visual dos pontos centrais da resolução, pensado para consulta rápida e compartilhamento.
Baixe o material oficial
O texto integral da resolução como publicado no Diário Oficial da União, e o infográfico em alta resolução.